Antoine Doinel, o personagem de uma tetralogia de Truffaut, é um retardado, egoísta e oportunista.
Como se fosse um Buster Keaton(que faz rir mas não ri) pelas diatribes dos relacionamentos conteporâneos, ele passa o tempo todo correndo, fugindo. Do que? Do que se convencionou chamar de vida adulta, responsabilidades. Mas ele não rompe com nada, ele só foge. É moderno pela imaturidade, infantilidade persistente. Afora Alain Resnais, a Nouvelle Vague parece ter uma certa saudade da infância. Gostaria de ver uma versão de Peter Pan filmada por Godard. Ou já existe e se chama Pierrot Le fou?
2 comentários:
Poxa, Rafa, mas foram meninos reprimidos e mal cuidados, pouco ouvidos, de uma época em que ser adulto era chato, padronizado e vazio pencas !
Adulto, até algumas décadas (e até hoje em alguns grupos, algumas cidades) é a própria falta de escolha e morte por falta de vida, em vida; Inércia, previsão e uma estabilidade de mausoléu.
Se tu fosse criança quando eles foram, na tua idade de hoje tu não teria a permissão social e nem opção existencial de viver com 95% das tuas escolhas próprias que fazem da vida uma vida tua, por onde tu é frequentemente feliz e se sente inteiro feliz; E ser livre, tu pode conhecer o sentido e o âmago do que te importa. Mas isto é uma conquista recente para a vida de um adulto.
O Truffaut nasceu quatro dias antes do dia em que eu nasci, cinquenta anos depois, donc, eu sei de vários quase segredos dele, de modo que tu pode confiar no que digo.
Bom, tu é mais um irritado por Doinel, por seu jeito quase pecaminoso de não parar, é assombroso, concordo, tira do sério, voilà. Mas no não sossego dele tem muitos assuntos, alguns ainda vivos e todos verdadeiros, pra quem puder ouvir, quando puder.
;)
Além da novelle vague, anos 60 foi a explosão da Pop arte, que nos persegue até hoje.
Nunca gostei do Keaton e por isso curti bastante seu post.
Abraços, Rafa.
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