20030102

Porto alegre com pouca gente é uma cidade muito interessante.
Mas sempre detestei argumentos que associam a presença de poucos como vantagem, como quem mencionasse tivesse mais privilegios do que outros. Elitismo.
Mas ver a Independencia com sua Avenida a salvo de tantos carros levando homens-fera e mulheres armadas, é um alívio.
A Redenção deve estar finalmente, redentora...
Depois conto da praia.
Gostei do sonho mais vivido que tive nos últimos tempos, foi no ônibus de volta de ibiraquera.
Eu estava em outro ônibus, mas como parte de um grupo convidado para coral de canções muito antigas, resgatadas arqueológicamente. O encontro seria em uma estação cultural, nos alpes. No caminho a neve vai surgindo aos poucos nas copas das árvores, e a expectativa de fazer parte de um trabalho tão interessante. Chegamos à estação e na subida pra o nosso lugar de trabalho, vamos despertando uma fileira de corujas adormecidas. No lugar um choque: é como uma estufa, daquelas bioesferas, com ambiente controlado. Uma espécie de fonte é o centro do lugar, mas não é só uma fonte. àrvores de flores cobertas por uma estrela em aço e vidro, que projeta água em diferentes quantidades, na direção de pás de vidro que vão mudando de posição e projetando a água mais á frente de maneira irregular. A água chega assim imprecisa, alimentando o movimento de bonecas em forma de musas de Boticcelli, que vão dançando e as vemos através de um vidro, musas, vestidas de tons lilases e água, se juntam fazendo uma espécie de pintura em movimento...
Uma freada do ônibus e estou no pedágio da Freeway, mas vim acariciando a lembrança desse sonho até agora.
Feliz 2003.