Harvey Pekar. Guarde esse nome. Esqueça esse nome. O protagonista do filme "O Anti Herói Americano"(tem que ter na sua locadora) é um perdedor, você não vai aprender nada de novo, não é bonito, não é engraçado. É um cara tão parecido com alguém estranho que você conhece, que não vai precisa conhecer esse cara ainda mais estranho. Mas Harvey é genial. Porquê? Porque foi o primeiro americano a gritar: Hey, eu sou um perdedor! E, hey! Sou igual a você! Esse você(nós) é basicamente um ser humano qualquer jogado no meio desta floresta de plástico de ilusões. Sobrevivemos desbravando redes sociais, derrubando árvores de convicção, até encontrar uma grande clareira de acomodação. Aí deixamos entrar um espelho, chamado televisão, onde todos nossos medos, desejos e manias são devidamente reciclados e devolvidos como...diversão. Um casal se batendo é divertido, um país invadido é divertido, tudo é diversão. Até o que é pra emocionar e esclarecer é divertido, porque essa é a linguagem da TV. Uma janela para o mundo, mas cuja paisagem varia de acordo com o patrocinador e a opinião pública, sim, você, para ao final de tudo preenchermos as horas disponíveis de nossa vida(hey, vc notou que elas estão diminuindo?) com qualquer coisa que não nos faça pensar. Isso é diversão, não?
Bem estávamos na floresta dos perdedores. Alguns destes se perdem, começam a ficar revoltados e impacientes com aquele caminho que leva sempre para mesma clareira. E começam a enxergar que existem outros silvícolas incomodados. Que falam sozinho, que tem atitudes inesperadas(não é difícil, a quantidade de atitudes previsíveis na verdade é muito pequena diante dos disparates que podemos cometer), que estão enfim, dando pistas de que, se o sol nasce para todos, é no fechar dos olhos de cada um que ele pode desaparecer. Aí, nosso anti-herói Pekar, começa a colecionar estes disparates, chamados também de neuroses, surtos, manias. Como? Ele tinha a mania de se incomodar muito com o que as pessoas fazem, ainda que não seja pra ele. Vai correndo até a clareira(através de uma revista de quadrinhos, que já foi desenhada até por Richard Crumb, outro cara assim, bem normal) e mostra para alguns silvícolas(não se esqueçam, a maioria está olhando a janela que GUARDA o mundo) que ser anormal não é assim, tão anormal. E que se olhar para o lado, AGORA, alguém está se segurando para não chamar a atenção com alguma mania bem individual. HEY, alguém falou em indivíduo?
Sim, chegamos ao nosso pote no fim do arco íris desse texto. Resgatar a individualidade(não o individualismo de massa bovino) é o desafio da modernidade. Temos tudo, só não temos a nós mesmos. Harvey Pekar, brilhantemente retratado no filme pseudo-documentário "American Splendor" fez de suas manias, sua tábua de salvação. Para dar vazão aos seus insistentes suspiros, começou a escrever, e a respirar melhor talvez. Fez sua própria lenda, e se alguma coisa não der certo, não vai ficar se remoendo. Ele não espera nada demais de um ser humano, com viver já temos muito, pra quê ser lindo, famoso, bem sucedido? Você já suspirou hoje?
Rafael Ferretti, é um cara normal, fumante compulsivo, exibicionista eventual, diretor de publicidade e cinema, dj, músico e antiherói.
Bem estávamos na floresta dos perdedores. Alguns destes se perdem, começam a ficar revoltados e impacientes com aquele caminho que leva sempre para mesma clareira. E começam a enxergar que existem outros silvícolas incomodados. Que falam sozinho, que tem atitudes inesperadas(não é difícil, a quantidade de atitudes previsíveis na verdade é muito pequena diante dos disparates que podemos cometer), que estão enfim, dando pistas de que, se o sol nasce para todos, é no fechar dos olhos de cada um que ele pode desaparecer. Aí, nosso anti-herói Pekar, começa a colecionar estes disparates, chamados também de neuroses, surtos, manias. Como? Ele tinha a mania de se incomodar muito com o que as pessoas fazem, ainda que não seja pra ele. Vai correndo até a clareira(através de uma revista de quadrinhos, que já foi desenhada até por Richard Crumb, outro cara assim, bem normal) e mostra para alguns silvícolas(não se esqueçam, a maioria está olhando a janela que GUARDA o mundo) que ser anormal não é assim, tão anormal. E que se olhar para o lado, AGORA, alguém está se segurando para não chamar a atenção com alguma mania bem individual. HEY, alguém falou em indivíduo?
Sim, chegamos ao nosso pote no fim do arco íris desse texto. Resgatar a individualidade(não o individualismo de massa bovino) é o desafio da modernidade. Temos tudo, só não temos a nós mesmos. Harvey Pekar, brilhantemente retratado no filme pseudo-documentário "American Splendor" fez de suas manias, sua tábua de salvação. Para dar vazão aos seus insistentes suspiros, começou a escrever, e a respirar melhor talvez. Fez sua própria lenda, e se alguma coisa não der certo, não vai ficar se remoendo. Ele não espera nada demais de um ser humano, com viver já temos muito, pra quê ser lindo, famoso, bem sucedido? Você já suspirou hoje?
Rafael Ferretti, é um cara normal, fumante compulsivo, exibicionista eventual, diretor de publicidade e cinema, dj, músico e antiherói.