Ele repetia a cada passo que dava rumo à pior escolha que poderia ter feito.
Agora seria apenas questão de horas para sair de São Paulo, desiludido, para a velha vida de portoalegrense reclamão.
#02
O sol entrava pelo mozaico da janela
Pintando um fim de dia impressionista na grande sala
Da grande casa
Da pequena cidade ao qual ele havia ficado
Tocando piano, sem sabê-lo, enquanto uma secretária e um segurança esperavam para pegar o vale semanal que acabaria no domingo, do churrasco, da cerveja e do leite da próxima segunda.
#03
Não queria admitir
Mas suas chances de escapar com vida daquele assalto tinham acabado já.
Ele jogou dados quando gritou por socorro a um segurança que também armado responderia a tiros com os assaltantes.
Que eram dois. Pensou quando viu a bala saindo do cano fumegante em sua direção.
Mas ele escapou. E pensaria nisso o resto da vida, que dessa vez, tinha gritado que queria.