20060129

PAULADA

Uma amiga minha me recomendou a vista a um médico, dr. Hugo Cheinquer, super especialista em Hepatite C, para dar uma segunda opinião a respeito dos meus exames. Havia a vaga esperança de que ele não indicasse o tratamento, mas não foi o que aconteceu. Ele disse que eu deveria começá-lo, mas foi elucidativo quanto ao poder do interferon. Me explicou que o interferon distribuido pelo governo é de péssima qualidade, sendo importado de Cuba e Argentina(não por isso, claro), por que ele sai mais barato. Mas a possibilidade de cura é menor do que o interferon alfa que é produzido na europa e muito menor que o Interferon Peguilado, que é administrado uma vez por semana, mas a um custo de 5000 reais por mês. Que merda isso, sentir que a diferença entre a cura e o mal está no dinheiro. Sendo assim, como só posso contar com o interferon dos hermanos, ele me recomedou que fizesse uma aposta radical, tomando todos os dias, e não 3 x por semana. Mas que eu poderia espera ele voltar de férias para começar o tratamento, e me acompanhar.
Não posso mais esperar. Comecei no sábado. Com uma injeção na barriga, 30 dias pela frente de injeções na barriga, quem sabe ela desincha. Bem, é isso, comecei a luta mesmo. Querem saber como foi?
A sensação é parecida com uma gripe, dores no corpo, febre, o corpo reagindo ao elemento externo, e a cabeça reagindo contra o corpo. A mãe e a Taís me ajudaram, porque lá pelas tantas eu não tinha vontade nem de falar. Foi me derrubando. Agora escrevo e estou bem, é de manhã, domingo com sol, vou caminhar com a Rose no parque, mas daqui a algumas horas, PAU! E é isso, força na mente, coração de guerreiro. Não é pra ficar com pena, é pra me mandar força, ok?

Me preocupa que estou numa fase da vida em que faço muitas coisas, e ontem tive medo de não conseguir. Mas não adianta, faz parte da batalha. Mas eu vou ter que escolher quais batalhas valem a pena, como um estrategista da vida, pensar nos custos e benefícios, poupando armas e almas ao máximo.

O bom é que tenho amigos, mesmo que eles venham me falar da Hepatite no meio da noite(normal, é como falar de trabalho), e eu ficar um pouco impaciente com isso, sei que é pro bem. Mas depois fui tocar com uma energia incrível. Eu vou ter que continuar tocando, porque me dá muuuuita força. É isso, abraços e beijos.

Um comentário:

Juliana Szabluk disse...

A última vez que cá compareci foi há muitos meses, admito.
Admito também que deixei de vir por textos que atingissem à minha pessoa terem sido vaga e relativamente substituídos por flyers com retórica narrativa - não sei ao certo o que isso quer dizer.
Mas enfim, fica meu apoio e a hum, confissão (não é bem essa a palavra), hum... compartilhamento, verdade, solidariedade de alguém que já dividiu semelhante problema, sofreu semelhante agonia e tem uma certa noção de como conseguir remédios que custam praticamente 100 reais a pílula, de graça com o governo. Sim, o país ajuda. É milagroso.
Resumindo, para causas reais e verdadeiras, estamos aí.
Desculpe, mas posts e amigos de festa não são meu forte - considere isso bom ou ruim, eu levaria como elogio.
Abraços. Fique bem.