Olha só que análise. Eu nunca consigo sair do: achei bem legal. Mas me deleito com com a argumentação. Recebi esse mail do Enrique, que viu o curta na Austria, pela internet.
Querido Rafa,
comecei a ver o teu curta com certa apreensão, pois não sabia o que é que podia resultar, mas com o decorrer do filme, pouco a pouco, fui-me empolgando e sentindo a tensão do protagonista que não encontra sua mulher e também não entende muito bem o que é que está acontecendo. Os fatos levam-no a ser guiado pelos outros, sem ele perceber muito bem como é que isso pode estar acontecendo com ele, como é que ele pode estar frente à sua possível mulher e não consegue reconhecê-la. Não chega a ser angustioso (pelo menos na telinha em que eu pude ver o curta), mas é chocante, irreal, ilógico. Gostei também dos joguinhos da montagem. A artificialidade nas obras de arte são um prazer para mim, só que, às vezes, não encaixam, mas quando tudo bate corretamente, aprecio mesmo. Também dá para sentir que o diretor sabe dirigir e o roteiro é sólido. E o final, a fala do teu tio sobre o fato real que inspirou o filme, é ótima, chama o sorriso, quase a gargalhada. Encaixa perfeitamente na lógica da montagem artificial, que poderia ter sido um erro, pois, afinal de contas, estamos perante um caso grave para o protagonista, só que tão absurdo que essa gradação artificial, essa distância do narrador, neste caso o diretor, leva o espectador a juntar todas as peças no final, com a presença do teu tio contando a sua historinha. O jogo temporal do curta, penso, está muito bem organizado e em nenhum momento o espectador perde o fio narrativo, e era fácil que o perdesse, pois jogas bastante, interrompendo a tensão do hospital, muito absurda, que, talvez, se fosse toda apresentada sem interrupções, seria demasiado irreal, inacreditável.
Bom, meu amigão, vi filme com prazer e gostei do que vi.
Um forte abraço
E.