Porto Alegre, 19 de setembro, nublado, noite. Pela rua, os sons dos pneus avançam sobre os ouvidos, que por obra de Deus, não tem palpebras, assim como o nariz. Mas se tivesse palpebras, não o nariz, mas o ouvido, talvez não tivesse ouvido o som dos pneus de um carro que avançou sobre minhas pernas na contramão. O carro, não eu, pedestre, que nunca está na contramão.
Mas agora, inteiro, sei como fazem os dublês de Hollywood. Pulam e deixam seu corpo cair sobre o capô. Gostei do capô, me deu vontade de ficar saltando sobre ele repetidas vezes. Pena que o condutor estava com pressa, por isso na contramão.
Senti vontade de contar essa história a todos. Valorizando a vida que ficou(melodrama).
Eram 8 da manhã de terça. Bom dia.
Eu achei legal.